Aller não se descobre de repente. É preciso subir o vale e observar como a paisagem muda à medida que a estrada deixa para trás os aglomerados mais urbanos e avança em direção a Collanzo, Felechosa e às montanhas da Cordilheira Cantábrica. Nesse percurso, coexistem bairros construídos em torno da mineração, aldeias de criadores de gado, prados, bosques e encostas que se tornam cada vez mais íngremes. Não é um município homogéneo nem um cartão postal preparado para o visitante. É um território extenso, habitado e trabalhado, onde a memória do carvão continua presente, mas partilha espaço com uma cultura de montanha que nunca chegou a desaparecer.
As Foces de El Pino ilustram bem o caráter de Aller. O caminho entra numa garganta estreita, acompanhando o rio entre paredes rochosas, sombra e humidade. Mais acima, as Foces de Ruayer, o bosque de faias do Gumial, a cascata de Xurbeo ou os caminhos de Coto Bello permitem conhecer paisagens muito distintas sem sair do município. No inverno, Fuentes de Invierno altera o ritmo do vale com a chegada da neve; durante o resto do ano, as suas passagens de montanha, pistas e trilhos atraem caminhantes, ciclistas e pessoas que procuram uma montanha próxima, mas não domesticada. Aqui, convém consultar a previsão meteorológica, escolher bem o percurso e aceitar que o nevoeiro, a chuva ou o frio também fazem parte da experiência.
Aller também se compreende através dos seus vestígios históricos. A Via Carisa lembra que estas montanhas são um ponto de passagem há séculos; as igrejas de São Vicente de Serrapio e São João de Rumiera conservam um património românico integrado em pequenas aldeias; e o Poço de São Fernando evoca uma época mineira que transformou a economia, a paisagem e a vida de muitas famílias. Visitar Aller é ligar todas essas camadas numa única viagem: caminhar por um desfiladeiro, parar diante de uma torre de mineração, entrar numa igreja rural, comer numa taberna e continuar a subir o vale para descobrir o que nos espera depois da próxima curva.